Eu sou Despachante Aduaneiro

Por Eli Vieira Xavier/

Exatamente na véspera do dia em que se comemora “o dia do despachante aduaneiro”, conversava com um amigo da categoria e dizia-lhe que não pensava em escrever nada sobre esta data este ano, porque não teria nada, ou quase nada, para comemorar, muito pelo contrário, seriam muito mais lamentações do que comemorações, mas, instado que fui, volto a fazê-lo.

E, como supunha, pergunto-vos: temos que comemorar a abertura para que companhias marítimas possam fazer despachos? Temos que comemorar que a receita federal nos retira da lista de intervenientes como OEA? Temos que comemorar que, segundo soube, estão imputando solidariedade (responsabilidade) ao despachante que assinou guia de exoneração de ICMS, cuja legalidade está sendo discutida? Temos que comemorar responsabilidade solidária sobre dem­­­urrages? Temos que comemorar o sem número de responsabilidade que nos é impingida no regulamento aduaneiro, por conta de erros praticados por outrem? Temos que comemorar a ganância de sindicatos, que a vida toda, só se preocuparam com o (não sei se bendito ou maldito) SDA? Temos que comemorar que, à sorrelfa, estes mesmos sindicatos nos imputaram a responsabilidade do imposto de renda sobre os 10% que ficam para eles?

Poderia eu estar aqui a expor um mundo infindo de motivos para não comemorar, mas, como a esperança é a última que morre, e, acreditando piamente, que ainda restará salvação para aqueles que procuram se manter atualizados, temos, ainda, um resto de orgulho para bater no peito e dizer, em alto e bom som, que “eu sou despachante aduaneiro”.

Felizmente, ou infelizmente, eu me minha família colocamos todos os ovos em uma mesma cesta. Assim, torço para que meus filhos possam sobreviver desta carreira que abraçaram, da mesma forma como o fiz há mais de 49 anos.

E, não posso me abster de falar, que vejo, com muita tristeza, no sem número de grupos de “whatsapp”, como impera o despreparo e a preguiça, tal o número de perguntas feitas, a maioria sem o mínimo conhecimento do que estão fazendo, à demonstrar que se acostumaram a receber o peixe e nunca, salvo exceções, quiseram aprender a pescar. Não têm coragem de, ao menos tentar achar respostas a perguntas banais nas ferramentas e legislações que sobejam em qualquer site.

Talvez sejam estes mesmos, que se dizem despachantes, que se negaram a prestar concursos de avaliação e, sem querer pescar, foram ao judiciário buscar seu peixe, razão porque, até aqueles que já eram despachantes oea deixaram de sê-lo.

É, temos muito pouco o que comemorar, mas, como o pouco com deus é muito, seguimos adiante nesta estrada para servir, assessorar e, quem sabe, virmos a ter nosso valor reconhecido, não pelo que cobramos, mas pelo que valemos.  


Eli Vieira Xavier. Despachante Aduaneiro e Diretor da Lenivam Serviços de Comércio Exterior

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